Flores do Oriente, filme chinês, produzido em 2011 e lançado em maio de 2012, tem direção de Zhang Yimou, (que também foi diretor de "Clã das Adagas Voadoras").
Flores do Oriente conta com belíssima e comovente atuação de Christian Bale, na pele do agente funerário John Miller, que chega a China em 1937, no meio da segunda guerra entre China e Japão. O episódio narrado ocorre em Nanquim, província chinesa invadida pelos japoneses durante a guerra.
Um começo extremamente chocante, com o abuso do uso da cor branca para chocar o espectador, compõe a cena inicial que dá boa parte da característica do personagem de Bale: um sujeito desajeitado e indiferente com o mundo ao redor e que preocupa-se apenas consigo mesmo e com sua sobrevivência. Esses traços permanecerão com o personagem até meados do longa, quando um anseio de proteção das meninas e prostitutas alojadas na igreja em que ele ia realizar seu trabalho de agente funerário, tomam conta da sua mente.
O objetivo principal da presença de Bale na igreja é enterrar o sacerdote que ali morrera, e dar-lhe as honrarias finais de um funeral. Entretanto, o filme se desenrola e, seguindo seu instinto de sobrevivência indiferente aos demais ao redor, Bale se torna, de uma hora para outra, padre da igreja local, assumindo, então, o lugar do sacerdote morto, achando que conseguirá desfrutar de certo privilégio como um quarto, à primeira vista do personagem, cheio de recursos e bebidas alcoólicas que possam saciar seus anseios etílicos.
Nesta mesma igreja funciona uma espécie de internato feminino, para crianças e adolescentes meninas. Com a guerra, os pais das garotas certamente morreram em algum canto da China ou então perderam o completo acesso ao internato, impossibilitando-os de qualquer resgate ou fuga do território para algum lugar mais seguro para os chineses. Nesse grupo, nota-se o destaque da pequena Shujuan Meng (Xinyi Zhang), uma das internas, cujo pai tenta, a todo custo, se vender aos japoneses para então conseguir resgatar sua filha daquela situação.
Cabe aqui também ressaltar a grande e ilustre presença do Major Li (Tong Dawei), um dos personagens mais inteligentes que vi em tão pouco tempo de aparição no cinema. Herói nacional na China, pelo episódio que fora narrado de geração em geração na China, o personagem consegue desmantelar todo um destacamento japonês, com armadilhas precisas e movimentação singular, que simulam a presença de uma expressiva quantidade de soldados chineses fazendo resistência contra a invasão chinesa. A inteligência dele reside, principalmente, no fato de saber que sua vida terá prazo finito e sua situação (em função do seu posicionamento na cidade e a provisão com alimentação e munição são finitas) e a partir daí bola um sensacional plano de auto destruição, com o intuito de levar o máximo de japoneses junto consigo em sua morte. Essa cena é de singular beleza e heroísmo, além de uma cativante e comovente interpretação de Dawei, que conseguiu colocar, em poucos quadros, a dor, aflição e angústia nessas situações e, ao mesmo tempo, um pingo de satisfação pelo dever cumprido ao proteger o internato dos japoneses pelo máximo de tempo possível.
Do outro lado da cidade, um grupo de prostitutas, lideradas pela personagem Yu Mo (Ni Ni), que conseguem encontrar abrigo, a muito custo, no internato das meninas, já sob os cuidados bem lenientes do personagem de Bale. É no ambiente da igreja e do internato que o choque de culturas entre as meninas ainda adolescentes, bem instruídas, com as mulheres maduras, prostitutas e de maneiras vulgares, ocorre. O atrito entre elas é o principal em boa parte do meio do filme. Aos poucos, ambos os grupos começam a ceder, mas isso só ocorre quando um destacamento de soldados japoneses descobre que aquele internato é esconderijo de chineses e, principalmente de mulheres.
A mudança no relacionamento entre Miller, as prostitutas e as garotas vão ocorrendo e essa relação vai se tornando menos hostil e cada vez mais de companheirismo. Cena marcante dessa troca ocorre quando o Coronel Hasegawa (Atsurô Watabe) ouve o coro das internas e fica encantado. A fama da presença delas chega ao alto comando japonês que impõe um convite as meninas para que, com o seu coral, vá a um evento japonês para cantar para o "comandante japonês" e alegrar a noite.
Astutas, as prostitutas, com a experiência de terem vivenciado estupros e atrocidades feitos pelos japoneses contra as mulheres chinesas, ficam comovidas com a imposição da presença das meninas em tal cerimônia e se oferecem para ir no lugar delas. Essa troca de papéis, inicialmente, provoca inquietação em todos os componentes de cada grupo, inclusive do já então conclamado padre John Miller. Mas a decisão final é que as prostitutas irão no lugar das garotas, a fim de protegê-las para uma possível fuga no futuro.
A melhor cena é a transformação ocorrida nas prostitutas: o corte de cabelo ousado dá lugar a um corte de cabelo mais recatado, inocente, criança. A sensação que passa ao espectador é que, por um breve momento, antes do final das suas vidas (já que as prostitutas sabem qual será o seu fim), conseguirão revisitar seus próprios passados, dotado com inocência peculiar à infância. Os olhares ficam mais serenos, e uma doçura pré-morte domina o ambiente entre as prostitutas.
Entretanto, a falta de mais uma mulher para compor o número total inicial de crianças no coro, é completado pelo único menino presente no internato, George (Tianyuam Huang), que se submete a uma total transformação de seu físico e rosto, com maquiagens e uma peruca confeccionada na hora, para a caracterização plena do personagem em uma garota. Ato e prova de amor incondicional às meninas que cresceram e zombaram dele na infância. Esse momento do filme é o toque final na idéia de troca de vidas e de amor ao próximo e a uma esperança de futuro melhor para as possíveis meninas sobreviventes.
De fato, Miller arranja uma maneira de fugir com as meninas e as prostitutas e o garoto nunca mais foram vistos.
Por fim, cabe ressaltar aqui a belíssima fotografia do filme Flores do Oriente, com excesso de apelo aos tons acinzentados de cascalhos de guerra com as fortes e contrastantes cores da China, como o vermelho gritante, contrastando, ao fundo, com um altar em tom escuro cinza-marrom. Essa mistura torna o filme ainda mais especial no tocante à sua beleza e concepção. Os ângulos para captar as cenas e os momentos de tensão foram muito bem escolhidos, dando maior drama e densidade ao longa, aumentando a expectativa do espectador. Para quem assistiu Clã das Adagas Voadores, não poderia esperar algo muito diferente: som e cores numa mistura que encantam o espectador ocidental (e quiçá o oriental?) com simplicidade e objetividade.
Mesmo objetivo, o filme consegue conservar suficiente subjetividade e desenvolvê-la durante todas as 2 horas e 24 minutos de filme.
Recomendadíssimo!
Forte abraço!
;)
terça-feira, 30 de abril de 2013
A Onda (ou "Die Welle", no original em alemão)
Difícil comentar um filme tão denso quanto "A Onda", feito na Alemanha, em 2008, dirigido por Denis Gansel e tendo como personagem principal o ator Jürgen Vogel, fazendo o personagem do professor Rainer.
A escola ofereceu, por uma semana, cursos aleatórios, intensos, sobre diversas matérias extra-classe que complementem o aprendizado de cada aluno. Rainer não conseguiu montar sua aula de anarquismo, pois já havia outro professor que inscrevera-se antes para ministrar tal curso. Assim, o protagonista resolve dar uma aula sobre autocracia e suscitar o debate em sala de aula: regimes autoritários, como o nazismo ou fascismo podem voltar a surgir na Alemanha?
Incrédulos, os alunos recusaram, de imediato, devido a carga negativa que o nazismo traz sobre a Alemanha até os dias de hoje. Entretanto, o professor resolve provar o contrário e demonstrar a eles que, com uma boa manobra de massas, é possível converter a mentalidade da pessoa a um movimento extremamente autoritário como o nazismo.
Utilizando técnicas de discurso como o Hitler utilizava em seus comíssios, assessorados por Goebbels (ministro da propaganda do Reich), o professor deixa os alunos inquietos, promovendo a idéia de união pela força. A mudança da disposição das carteiras em sala de aula e a unificação de alunos bons com alunos ruins, em pares, já que as carteiras são compostas de duplas, faz com que todos os alunos, na média, tendam a se equiparar, aprendendo uns com os outros e formando um corpo uno.
A idéia da unicidade é muito bem passada quando o professor, já com um alto grau de confiança conquistada pelos seus alunos, consegue orquestrar um movimento em massa com precisão de orquestra. Além de demonstrar ao outro, ao olhar externo uma grande união entre os membros, o som e o barulho provocado pelas batidas na carteira geram um fervor de identidade como os alunos não tinham experimentado antes. Nesse ponto, é interessante notar que todo o sistema fascista (e o sistema nazista também) geram a identidade de cima para baixo, ou seja, do Estado para a população. Ao contrário do que ocorre em regimes não-autoritários, onde o indivíduo pode ter o gozo pleno de suas liberdades e faculdades, em que a identidade ocorre de dentro do indivíduo para fora. Vai ficando evidente como uma pessoa com personalidade mal definida, ou alguma carência de identidade própria e afeto, conseguem ser rapidamente debeladas (não digo sanadas) pelo regime autoritário e pela liderança do professor.
Mais ainda, vale a pena uma derrapada para fora do filme para questionar e verificar a postura de um regime fascista: mais do que lutar contra o comunismo na década de 1920~40, o fascismo tem como objetivo, primordialmente, garantir que a sociedade continue produzindo mão de obra qualificada, barata, disposta e altamente produtiva em prol de um objetivo comum, que pode ser, muitas vezes, a suprema soberania nacional e a crescente ameaça aos territórios estrangeiros que estão na fronteira com o país. Convido você a assistir um video de Hitler discursando para a juventude nazista, e que é parte da obra de Leni Riefenstahl, (cineasta do regime Nazista, tendo um de seus filmes "O Triunfo da Vontade", disponível aqui no Brasil), e tentar entender como um discurso bem organizado e enfático, inclusive com o tom adequado nas palavras adequadas incitam você a estar a favor do regime ou do "líder" em questão.
Com a proximidade do fim do filme e clímax, Rainer começa a perceber que sua grande obra tem que acabar. Entretanto, como a mentalidade autoritária está tão entranhada e incutida na mente das crianças e adolescentes, acabar com o movimento não é mais uma questão de término de um trabalho escolar ou o fim de um dia, mas o fim de uma vida para muitos, uma vida que teria uma certa esperança de mudança para uma Alemanha melhor, conforme a proposição do protagonista, no início do seu trabalho com os alunos.
Por fim, o comentário sobre o filme é extremamente difícil e cada cena é rica em detalhes visíveis, como uma bela fotografia e enredo brilhante! E além disso, repito: cada cena tem uma fundamentação histórica e alusões traumáticas a um passado de uma Alemanha nazista autoritária que teve o seu auge em meados da década de 30 e sua derrocada em 1945, quando o movimento ruiu com a morte de Hitler e prisão/suicídio/execução de todo o establishment nazista.
Filme excelente, inclusive para tê-lo em casa para assistí-lo ao longo da vida!
Forte abraço!
;)
A escola ofereceu, por uma semana, cursos aleatórios, intensos, sobre diversas matérias extra-classe que complementem o aprendizado de cada aluno. Rainer não conseguiu montar sua aula de anarquismo, pois já havia outro professor que inscrevera-se antes para ministrar tal curso. Assim, o protagonista resolve dar uma aula sobre autocracia e suscitar o debate em sala de aula: regimes autoritários, como o nazismo ou fascismo podem voltar a surgir na Alemanha?
Incrédulos, os alunos recusaram, de imediato, devido a carga negativa que o nazismo traz sobre a Alemanha até os dias de hoje. Entretanto, o professor resolve provar o contrário e demonstrar a eles que, com uma boa manobra de massas, é possível converter a mentalidade da pessoa a um movimento extremamente autoritário como o nazismo.
Utilizando técnicas de discurso como o Hitler utilizava em seus comíssios, assessorados por Goebbels (ministro da propaganda do Reich), o professor deixa os alunos inquietos, promovendo a idéia de união pela força. A mudança da disposição das carteiras em sala de aula e a unificação de alunos bons com alunos ruins, em pares, já que as carteiras são compostas de duplas, faz com que todos os alunos, na média, tendam a se equiparar, aprendendo uns com os outros e formando um corpo uno.
A idéia da unicidade é muito bem passada quando o professor, já com um alto grau de confiança conquistada pelos seus alunos, consegue orquestrar um movimento em massa com precisão de orquestra. Além de demonstrar ao outro, ao olhar externo uma grande união entre os membros, o som e o barulho provocado pelas batidas na carteira geram um fervor de identidade como os alunos não tinham experimentado antes. Nesse ponto, é interessante notar que todo o sistema fascista (e o sistema nazista também) geram a identidade de cima para baixo, ou seja, do Estado para a população. Ao contrário do que ocorre em regimes não-autoritários, onde o indivíduo pode ter o gozo pleno de suas liberdades e faculdades, em que a identidade ocorre de dentro do indivíduo para fora. Vai ficando evidente como uma pessoa com personalidade mal definida, ou alguma carência de identidade própria e afeto, conseguem ser rapidamente debeladas (não digo sanadas) pelo regime autoritário e pela liderança do professor.
Mais ainda, vale a pena uma derrapada para fora do filme para questionar e verificar a postura de um regime fascista: mais do que lutar contra o comunismo na década de 1920~40, o fascismo tem como objetivo, primordialmente, garantir que a sociedade continue produzindo mão de obra qualificada, barata, disposta e altamente produtiva em prol de um objetivo comum, que pode ser, muitas vezes, a suprema soberania nacional e a crescente ameaça aos territórios estrangeiros que estão na fronteira com o país. Convido você a assistir um video de Hitler discursando para a juventude nazista, e que é parte da obra de Leni Riefenstahl, (cineasta do regime Nazista, tendo um de seus filmes "O Triunfo da Vontade", disponível aqui no Brasil), e tentar entender como um discurso bem organizado e enfático, inclusive com o tom adequado nas palavras adequadas incitam você a estar a favor do regime ou do "líder" em questão.
Com a proximidade do fim do filme e clímax, Rainer começa a perceber que sua grande obra tem que acabar. Entretanto, como a mentalidade autoritária está tão entranhada e incutida na mente das crianças e adolescentes, acabar com o movimento não é mais uma questão de término de um trabalho escolar ou o fim de um dia, mas o fim de uma vida para muitos, uma vida que teria uma certa esperança de mudança para uma Alemanha melhor, conforme a proposição do protagonista, no início do seu trabalho com os alunos.
Por fim, o comentário sobre o filme é extremamente difícil e cada cena é rica em detalhes visíveis, como uma bela fotografia e enredo brilhante! E além disso, repito: cada cena tem uma fundamentação histórica e alusões traumáticas a um passado de uma Alemanha nazista autoritária que teve o seu auge em meados da década de 30 e sua derrocada em 1945, quando o movimento ruiu com a morte de Hitler e prisão/suicídio/execução de todo o establishment nazista.
Filme excelente, inclusive para tê-lo em casa para assistí-lo ao longo da vida!
Forte abraço!
;)
Bruna Surfistinha
Assisti esses dias o filme "Bruna Surfistinha" (2011). Confesso que não me senti incentivado a ir ao cinema e pagar para assistí-lo, já que ouvia de algumas pessoas (de certa confiança) que o filme não era bom e não valeria a pena gastar dinheiro para ver a Deborah Secco pelada.Em casa, de graça, na tv a cabo, resolvi assistir. Nada tinha para fazer e comecei assistindo o filme.
Inicialmente, os atores não são lá essas coisas. Exceto a Deborah Secco que consegue conservar uma bagagem de "Confissões de Adolescente" (série para o público adolescente, de 1994) e que envolve o espectador para continuar a assistir o filme. Logo de início, quando damos de cara com Drica Moraes interpretando a cafetina de putas de baixo nível em SP, o nível do filme automaticamente sobe.
Um parênteses à parte: Drica Moraes é uma atriz tão excepcional que ao mesmo tempo em que a assisti na novela Guerra dos Sexos no dia anterior e no filme Bruna Surfistinha no dia seguinte, nota-se a capacidade e versatilidade dessa atriz que deveria ser considerada patrimônio cultural nacional, tal qual Marília Pêra e Fernanda Montenegro.
Voltando ao filme. Apesar da proposta do filme ser uma autobiografia de Bruna Surfistinha (ou Raquel Pacheco, nome real da personagem principal), acho que ele consegue ir um pouco além: expõe a situação precária da prostituição em grandes cidades e, com certa discrição, a diferença entre os mercados de baixo e alto nível da prostituição nas grandes metrópoles, como São Paulo e Rio de Janeiro. E também a possibilidade de ganhos maiores em mercados de mais alto nível.
Um ponto bastante interessante é que Deborah Secco vai conseguindo mudar e construir a imagem de Bruna conforme o tempo passa (e, tecnicamente, a idade da personagem) vai aumentando. O jeito ainda moleque e ao mesmo tempo provocante de Deborah fez dela a atriz ideal para o papel, fora o fato de não haver muito problema com nudez e nem poses sexuais, das mais diversas.
Infelizmente o filme não tem uma trilha sonora e nem uma química que você possa dizer: "nossa, essa música coincide com o personagem ou a cena!!" e nem uma fotografia que você possa apreciar melhor o jogo de luzes e ângulos.
O que eu acho muito interessante e marcante no filme, é a narração e a colocação de que a vida da prostituição é intensa, curta e marcada. A própria colocação da personagem ao final do filme, questionando a existência do alter-ego (?), Bruna Surfistinha poderia não ter existido. Nesse momento acho que o filme consegue provocar (ainda que modestamente) o espectador para uma reflexão do caminho adotado por cada um de nós (secundariamente) e a formação e conclusão final de Bruna (ou Raquel) afirmando que para que ela se encontrasse na vida e encontrasse seu espaço-tempo, a existência e criação de Bruna fez-se necessária. Outro ponto que é legal de perceber, entretanto, o filme não deixa isso muito evidente e deixa a cargo do espectador, é: assim que ela começa a cheirar cocaína ao trabalhar para um mercado de mais alto nível (até então ela recusava, mesmo no meretrício de mais baixo nível), a personagem de Deborah começa uma lenta e logo em seguida rápida e derradeira decadência. Fica a dúvida: Bruna acorda para uma nova realidade porque Gabi saiu de sua vida e, conseqüentemente, o alicerce administrativo e laço de amizade são perdidos; ou pelo simples fato dela ter começado a cheirar pó? Ou até mesmo os dois?
No mais, como todo filme, principalmente os brasileiros, daqui a alguns anos ele servirá como um belo retrato de uma realidade que talvez não estejamos mais vivenciando-a, com a alteração da paisagem urbana ou alguma outra mudança louca que venha ocorrer nas nossas vidas e cidades.
Se você não gostou do filme, e achou que foi só mais um filmezinho pipoca, bom, não tenho muito como contra-argumentar, até porque reconheço que o filme não é lá essas coisas. Mas que é um bom retrato da prostituição, acho que nesse ponto ele é bem interessante (e romântico até).
Se ainda sim você não gostou do filme, que este longa conte como um registro de um tempo que passou (meados dos anos 2000) e a nossa sociedade retratada, ainda que de forma bem pincelada e longínqua.
Forte abraço!
;)
O Substituto (ou "Detachment", no original)
Assisti o filme "O Substituto", de 2011, com direção geral e fotografia de Tony Kaye, e Adrien Brody como protagonista.Como só consegui assistir na versão dublada, acredito que alguns detalhes do filme podem ter sido suprimidos por essa falha da minha rede de tv a cabo.
Inicialmente, o filme começa com uma narrativa do personagem principal, que é Henry Barthes (Adrien Brody) e você não tem muita noção do que ocorre. Pode parecer um pouco enfadonho nos primeiros 2 minutos, mas no terceiro você já se surpreende com a densidade do personagem principal e os flashs de lembranças que ele tem da infância e de sua mãe.
O que é evidentemente marcante nesse filme é a construção de um personagem denso com os flashs sobre a lembrança da morte da mãe e as circunstâncias em que ele, ainda criança, a encontrou morta. Apesar de não saber dos motivos da morte da mãe - talvez por uma opção - um outro personagem fortíssimo aparece em cena: seu avô e, provavelmente, o grande algoz de sua mãe.
Como pano de fundo fica o tema do suicídio entre as pessoas, independentemente da faixa etária do indivíduo. Esse fantasma do suicídio permeia toda o desenrolar da trama e cria uma expectativa no espectador do que pode acontecer durante o filme.
Com as ilustrações "dinâmicas" entre uma cena e outra, o filme consegue passar um lado bem mais subjetivo do que ele passa, além de contornar melhor as cenas e os personagens nelas presentes, além do protagonista. O personagem principal está eternamente preso num passado que nunca se defez em sua cabeça: talvez por falta de informação do que ocorrera com a mãe, ou até mesmo pela vaga suspeita do que provocou o seu suicídio e ao mesmo tempo, a necessidade de recalcar o real motivo, que tem forte ligação com o avô (e pai da mãe do personagem).
Esse limite/prisão/autocensura que o personagem vive acaba passando para os seus alunos, quando vai substituir um professor de Literatura em alguma escola qualquer de bairro nos Estados Unidos. Nesse espaço físico do filme (a escola) parece que todos os personagens compartilham uma angústia comum entre eles: o fracasso eminente em não conseguir transformar os alunos (crianças e adolescentes) em alguém no futuro. Isso talvez ajude a remeter, ainda que eu não ache que esse seja o objetivo do filme, sobre o aspecto "industrial" do ensino, em que colocam-se inúmeros alunos em uma sala de aula, com níveis e qualidades intelectuais diferentes, e um professor para "industrializar", de forma bastante fordista, o ensino. Isso não ocorre só nos EUA, mas em todo o mundo praticamente. Perdão pela digressão, mas educação é um tema que me encanta e acabo pensando/falando demais a respeito.
Voltando ao filme.
Além da descrição acima do enredo, cabe salientar a interpretação excelente do personagem principal (Adrien Brody), das músicas selecionadas (poucas, mas pontuais) e da fotografia do filme. As cores, ora extremamente contrastantes com uma luz superforte em cima do personagem principal e a adolescente prostituta no meio do filme, ora os tons acinzentados e amarronzados do apartamento do personagem de Adrien Brody, dão o toque final de refino a esse filme que, em poucos minutos, conseguiu ser tão denso e subjetivo, como há muito não assistia.
Excelente filme! Recomendadíssimo!
Forte abraço!
;)
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Olá! Bem vindos ao CinemAnexo!
Olá, leitor!
Tudo bem?
Meu nome é Leandro Marques, não sou estudante de cinema e nem de comunicação. Não sei nada de diretor nenhum, e nem me atrevo a comentar os filmes escolhidos do Oscar no último ano.
Meu intuito de criar esse blog é conversar e trocar idéias sobre os filmes que eu assisto na televisão, cinema ou no computador. Eventualmente comentar algo da televisão como novelas ou seriados, mas sem compromisso com nada.
Não tenho compromisso com verdade e nem com a omissão de fatos e cenas para não revelar o final do filme! Espero que daqui para frente vocês curtam o conteúdo do blog!
Forte abraço!
;)
Tudo bem?
Meu nome é Leandro Marques, não sou estudante de cinema e nem de comunicação. Não sei nada de diretor nenhum, e nem me atrevo a comentar os filmes escolhidos do Oscar no último ano.
Meu intuito de criar esse blog é conversar e trocar idéias sobre os filmes que eu assisto na televisão, cinema ou no computador. Eventualmente comentar algo da televisão como novelas ou seriados, mas sem compromisso com nada.
Não tenho compromisso com verdade e nem com a omissão de fatos e cenas para não revelar o final do filme! Espero que daqui para frente vocês curtam o conteúdo do blog!
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