terça-feira, 30 de abril de 2013

O Substituto (ou "Detachment", no original)

Assisti o filme "O Substituto", de 2011, com direção geral e fotografia de Tony Kaye, e Adrien Brody como protagonista.

Como só consegui assistir na versão dublada, acredito que alguns detalhes do filme podem ter sido suprimidos por essa falha da minha rede de tv a cabo.

Inicialmente, o filme começa com uma narrativa do personagem principal, que é Henry Barthes (Adrien Brody) e você não tem muita noção do que ocorre. Pode parecer um pouco enfadonho nos primeiros 2 minutos, mas no terceiro você já se surpreende com a densidade do personagem principal e os flashs de lembranças que ele tem da infância e de sua mãe.

O que é evidentemente marcante nesse filme é a construção de um personagem denso com os flashs sobre a lembrança da morte da mãe e as circunstâncias em que ele, ainda criança, a encontrou morta. Apesar de não saber dos motivos da morte da mãe - talvez por uma opção - um outro personagem fortíssimo aparece em cena: seu avô e, provavelmente, o grande algoz de sua mãe.

Como pano de fundo fica o tema do suicídio entre as pessoas, independentemente da faixa etária do indivíduo. Esse fantasma do suicídio permeia toda o desenrolar da trama e cria uma expectativa no espectador do que pode acontecer durante o filme.

Com as ilustrações "dinâmicas" entre uma cena e outra, o filme consegue passar um lado bem mais subjetivo do que ele passa, além de contornar melhor as cenas e os personagens nelas presentes, além do protagonista. O personagem principal está eternamente preso num passado que nunca se defez em sua cabeça: talvez por falta de informação do que ocorrera com a mãe, ou até mesmo pela vaga suspeita do que provocou o seu suicídio e ao mesmo tempo, a necessidade de recalcar o real motivo, que tem forte ligação com o avô (e pai da mãe do personagem).

Esse limite/prisão/autocensura que o personagem vive acaba passando para os seus alunos, quando vai substituir um professor de Literatura em alguma escola qualquer de bairro nos Estados Unidos. Nesse espaço físico do filme (a escola) parece que todos os personagens compartilham uma angústia comum entre eles: o fracasso eminente em não conseguir transformar os alunos (crianças e adolescentes) em alguém no futuro. Isso talvez ajude a remeter, ainda que eu não ache que esse seja o objetivo do filme, sobre o aspecto "industrial" do ensino, em que colocam-se inúmeros alunos em uma sala de aula, com níveis e qualidades intelectuais diferentes, e um professor para "industrializar", de forma bastante fordista, o ensino. Isso não ocorre só nos EUA, mas em todo o mundo praticamente. Perdão pela digressão, mas educação é um tema que me encanta e acabo pensando/falando demais a respeito.

Voltando ao filme.

Além da descrição acima do enredo, cabe salientar a interpretação excelente do personagem principal (Adrien Brody), das músicas selecionadas (poucas, mas pontuais) e da fotografia do filme. As cores, ora extremamente contrastantes com uma luz superforte em cima do personagem principal e a adolescente prostituta no meio do filme, ora os tons acinzentados e amarronzados do apartamento do personagem de Adrien Brody, dão o toque final de refino a esse filme que, em poucos minutos, conseguiu ser tão denso e subjetivo, como há muito não assistia.

Excelente filme! Recomendadíssimo!

Forte abraço!
;)

2 comentários:

  1. Não assisti esse ainda, mas gostei da descrição, vai pra minha lista :)
    Winnie

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  2. nao sei por onde começar, esse filme realmente me surpreendeu, me prendeu ao ponto de me desligar do filme dublado. Foi capaz de me hipnotizar, assustar e cativar tudo ao mesmo tempo, me remeteu a um milhao de sentimentos, um turbilhao para ser mais preciso já que nao os consigo diferenciar, me arrependi de nao ter sentado para ver o filme com um caderno ao lado tamanha complexidade e intensidade do filme, terminei em prantos, talvez por compreender parte daquilo, talvez por me simpatizar pelas açoes ou pela força que aquilo tem na realidade em que vivemos, como aquilo seria capaz de acontecer, medidas desesperadas para sair do sofrimento diário de cada um de nós. pressenti um apelo a nova sociedade que se constroi onde o desinteresse e antagonicamente excesso protecionismo por parte dos pais e a desmotivaçao por parte dos mais jovens, a falta de padroes sociais e educacionais fazem com que o esforço dos educadores(a beira de um surto, desesperados para acrescentar em algo e mudar aquela realidades) seja em vao e angustiante para eles e quem assiste o filme, e particularmente a facilidade que há em ignorar as coisas a nossa volta e a incapacidade e fraqueza e a força que ninguem tem de encarar os desavios pela frente sao pouco mensionados porem de forma profunda quando é feito

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