quarta-feira, 1 de maio de 2013

E aí, comeu?

É com esse título, nem um pouco ambíguo (e também nada vulgar...) que o filme "E aí, Comeu", de 2012, sob direção de Felipe Joffily, ganha cara e, para os mais exigentes, um ponto negativo.
Protagonizado por Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira e Emilio Orciollo Neto, conta ainda com a participação de Dira Paes contracenando com Palmeira e Seu Jorge dando pitada especial (e bota especial nisso) de humor à trama.

Aparentemente o filme tem por objetivo ser uma comédia. Ou drama? Fica difícil conseguir definir isso durante o filme e até o final, a dúvida permanece. Impossível tentar dizer que os dois temas estão "casados" neste filme, porque isso é debochar com a capacidade interpretativa do espectador. E nem para tentar ser um ou outro, ou seja, comédia ou drama.

Os personagens não encantam.
Bruno Mazzeo, como Fernando, não consegue deixar de ser Bruno Mazzeo. Humorista de talento, com um DNA calibrado para a comédia. Fez ótimos trabalhos como no seriado Cilada, com início em 2005. Nele, Bruno consegue fazer o que talvez ele consiga ter feito de melhor até agora no humor, como ator: diversificar papéis e personagens num curto espaço de tempo, dando traços e jeitos diferentes a cada um deles. Mas fora do seriado, parece que o filme Cilada.com(2011) fica ecoando na cabeça da gente ao assistir o ator em outros trabalhos.

Marcos Palmeira, na pele de Honório, cascudo da tv brasileira e muitas novelas em seu histórico, consegue desempenhar bem o papel proposto: o estresse do dia a dia do trabalho e o cuidado que tem que ter no cuidado com as três filhas, além de uma mulher e um casamento estagnado e desgastado pela rotina. Claro que contracenando com Dira Paes, fica mais fácil e entendível para o espectador. De fato, entre eles dois, rola uma química que poderia ser aproveitado em roteiros melhores.

Emilio Orciollo Neto, interpretando Afosinho, até consegue encantar com a sua cara de 'coitadinho' e uma necessidade de sexo. Mas o personagem resume-se a isso: só quer sexo e nada além disso. Apaixona-a por uma prostituta e ele acredita que será o príncipe encantado a livrá-la da vida do meretrício. Essa idéia já tá batida... Um cara com o poder que o personagem tem de conquistar as mulheres, conforme apontado pelo filme, fica perdidamente apaixonado por uma prostituta? Poxa... Podiam ter colocado que ele procura um novo caminho ou uma mulher com quem quisesse se envolver mais intensamente... Mas enfim. Tá no roteiro.

Os encontros dos personagens só ocorrem no bar, onde só falam putaria. Ok, falar putaria é legal. Mas falar putaria alto a ponto de incomodar as mulheres da mesa ao lado? Demais né? Uma vez até vai, mas espera-se um mínimo de educação da pessoa. E cá entre nós: o bar é SEMPRE freqüentado pelas mesmas pessoas? As mesmas personagens nas mesmas mesas, com a mesma disposição em todas as noites?

O enredo, infelizmente, é insosso. Há um excesso de desperdício de recurso humano. Há momentos com espasmos de graça, com a fala de Mazzeo, azarando a menininha ninfeta de 17 anos na garagem de seu condomínio: "pilastra é um troço traiçoeiro." Talvez esse seja o ápice de sagacidade dos personagens principais.

Por fim, se você quer um (e realmente único) motivo para assistir ao filme, tem nome de artista, cantor, personagem e ator: Seu Jorge. Suas tiradas pontuais, conseguem ser objetivas, elegantes e francas, além do jeito malandro de falar, fazem dele o melhor personagem da trama.

Infelizmente, não há muito mais o que comentar. Talvez se o filme se preocupasse menos em inserir personagens com aparições especiais, como as de José de Abreu, Murilo Benicio e Juliana Alves, dentre outros, provavelmente os personagens principais e secundários teriam mais tempo e densidade para encorpar melhor o filme.

Forte abraço!
;)

Um comentário:

  1. perdi algumas horas da minha vida vendo isso, filme dispensavel, que poderia muito ter me feito rir, mas tirando alguns grandes momentos quanto frases de efeito como a da pilastra realmente fizeram o filme mais animado, definitivamente uma das partes mais cativantes e instigantes é o caso da Dira Paes que ninguem imagina o que seja. Uma pena q a maioria dos filmes brasileiros acabem quase sempre apelando para os palavroes com intuito de roubar risos e fica de uma forma toa superficial que esses risos se tornam aqueles momentos de olhar para o lado e fingir que nada foi ouvido, nao soa natural e se torna forçado e meio pedinte de risos. e quanto ao título... bom... ele é, direto!

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