quarta-feira, 1 de maio de 2013

Filha do Mal (no original: "The Devil Inside")

Com a proposta de um enredo aparentemente cativante, Filha do Mal, lançado em fevereiro de 2012 e dirigido por William Brent Bell, deixa muito a desejar logo nos primeiros 15 minutos.

Para os espectadores mais exigentes, não vale a pena "alocar" o seu tempo assistindo esse filme que aspira passar uma sensação de terror ou melhor, suspense. A sensação que tive ao assistir o filme foi que ele é uma clara tentativa de tentar passar a idéia de um documentário. Infelizmente, por muitos problemas, essa sensação não nos é passada. Vou citar algumas razões para isso:

  • Dá para perceber que a luz tem um razoável controle, dando a entender que os cenários são pré-montados. Se a idéia é passar um documentário, que pelo menos reduza a quantidade de interferência no ambiente ao redor.
  • O texto é pobre e os personagens não conseguem passar uma densidade suficiente, fazendo com que o espectador não enxergue uma "vida própria" dos personagens.
  • Excesso de previsibilidade: quando você entende a receita utilizada pelo filme, logo no início, todo o resto é só uma confirmação da expectativa barata formulada por nós ao longo do filme. Nada muito além disso dá para perceber ou assimilar.
Por outro lado, há alguma pincelada no tema de vidas aleatórias, como aparições demoníacas ou incorporações dos indivíduos. Mas o suspense todo e a idéia caem por terra com os "sintomas" que os exorcistas explicam que a pessoa aparenta quando está possuída:
  • Força sobrenatural - sério que ainda utilizam isso como "tempero" para a entidade sobrenatural?
  • Falar em várias línguas - isso também já fica meio clichê: do nada o sujeito vira poliglota ou fala alguma língua de algum passado longínquo (a civilização Suméria é uma boa escolha, viu roteirista?). Eles ainda tentam fazer você engolir que falar inglês em vários sotaques é o "mesmo que falar outras línguas". Ok, agora se eu falar português com os 26 diferentes "dialetos" de cada estado brasileiro, quer dizer que eu sei falar 26 idiomas diferentes? Conta outra...
  • Poderes sobrenaturais - não é redundante com a força sobrenatural? Bom, nesse ponto o possuído pode mover objetos do lugar, sem sequer se mover. Esse poder também é razoavelmente clichê, mas pode ficar divertido se fosse bem usado.
Para entender melhor como um "poder" demoníaco pode ser irritantemente assustador e deixa você bem mais tenso do que em "Filha do Mal", assista "Caso 39". Esse sim, merece mais atenção e respeito.

Voltemos ao filme. A função da Igreja Católica no filme não fica muito bem colocada. Você não sabe se a Igreja Católica está contra o exorcismo, se ela é realmente burra a ponto de não ver que pessoas ao redor do mundo estão possuídas, necessitando de cuidados religiosos (?). Ou até mesmo, se a Igreja Católica foi inserida no filme apenas para dizer que existem 2 padres entusiastas da idéia. Em mais um ponto, o filme não te dá suspense, mas deixa você totalmente suspenso no ar, sem entender nada do que tá acontecendo ali. E não anseie por um final razoavelmente explicativo. Não se anime com isso.

O único suspense desse filme é: será que ele, em algum momento, vai ficar bom ou interessante? E esse suspense termina no último minuto com uma única resposta:
Não! Ele não fica bom e nem interessante...

Forte abraço!
;)

Um comentário:

  1. assisti este filme sentada no computador de confesso e em poucos momentos(geralmente dos gritos) me fizeram olhar para o filme, minha opinião nem se divergiu da sua

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